É Brasil! Pela primeira vez, a 21ª edição da lista exclusiva da Revista Crescer reúne 90% de produções brasileiras entre os melhores livros infantis do ano. Conheça as obras escolhidas em parceria com 60 jurados de diferentes cantos do país — e descubra os títulos que merecem fazer parte do repertório de leitura das crianças por aí.
Com um júri especializado formado por pessoas que atuam de diferentes maneiras no universo do livro, entre pesquisadoras e pesquisadores, mediadoras e mediadores de leitura, bibliotecárias e bibliotecários, livreiras e livreiros, além de professoras e professores da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental em diversas regiões do país —, este é um resultado que merece ser celebrado.
Desde a década de 1970, quando a literatura infantil brasileira viveu seu primeiro grande boom, impulsionado especialmente pelo movimento em torno da antiga Revista Recreio, acompanhamos o crescimento desse segmento do mercado editorial não apenas em quantidade, mas também em qualidade. E, quando falamos em “qualidade”, é importante lembrar que esse é um conceito em permanente transformação.
Hoje, sem dúvida, ele passa por dois aspectos fundamentais. O primeiro é o cuidado para que representação e representatividade caminhem juntas: diversidade de autorias, amplitude de temas e, sobretudo, um olhar atento, antirracista e decolonial, para que nenhuma criança se sinta ferida diante de uma leitura — situações que, infelizmente, ainda acontecem.
O segundo aspecto é o cuidado com a materialidade do livro, entendida não como luxo, mas como reconhecimento de que, nas obras voltadas às infâncias, o projeto gráfico e os materiais também fazem parte da experiência de leitura.
Como esta lista reflete a circulação e a relevância dos livros infantis no Brasil, o resultado deste ano é especialmente significativo. Saiba aqui quem são os jurados e como a seleção é feita.
Eis a 21ª edição de Os 30 Melhores Livros Infantis do Ano da CRESCER.
A PARTIR DE O ANOS
TEM FESTA NA FLORESTA
Abra este livro e saiba que está com a primeira obra voltada especialmente para bebês de autoria indígena publicada no Brasil. Já parceiros em Cadê Cadê, esta é a segunda parceria entre o artista plástico Xadalu Tupã Jekupé e a escritora Paula Talteibaum. Ambos gaúchos, ele leva a perspectiva guarani para Paula, e Paula leva a perspectiva dos livros contemporâneos para Xadalu.
Juntos, criaram agora um livro que, podemos dizer, usa três “idiomas”: o português, o guarani e o da imagem. Nele, há uma festa acontecendo e, a cada virar de páginas, vamos conhecendo um animal que está a caminho do evento. Só que a inovação vem na forma também. O texto diz, por exemplo, “Jaguaretê vai correndo mais rápido que todos” e o que vemos é a imagem da onça-pintada em direção às páginas seguintes.
Não há tradução textual e, sim, o nome de cada animal em guarani, o contexto em português e a imagem completa o sentido. Em formato quadrado e folhas com 240 de gramatura, ele tem um tamanhinho – 17cm x 17cm – que cabe bem na mão da criança pequena, que vai querer carregar esta turma para todo lugar.
Autores: Xadalu Tupã Jekupé e Paula Talteibaum Piu
R$ 44,90
editorapiu.com.br

FRIDA
A autora Aline Abreu, uma das mais importantes da contemporaneidade e grande pesquisadora de livros ilustrados, tem pousado suas histórias com mais ênfase no que chamamos de “livros para bebês”. Tem uma outra coisa que Aline tem adorado fazer: histórias com personagens bem pequeninos, o que combina demais com os desenhos dela feitos a lápis cheios de risquinhos e pontilhados.
Neste pequeno mundo de Frida, uma formiga de olhos e cílios grandes, entendemos que ela é a mais forte de todo o formigueiro. As irmãs menores sonham em ser como ela, diz o texto que também tem uma tipografia delicadamente desenhada a lápis em letras maiúsculas. No entanto, no desenrolar da narrativa, vemos que as pequenas são um tanto abusadas, e ficam achando coisas grandes e pesadas para irmã carregar. Claro que, no enredo, uma dose de nonsense deixa a leitura ainda mais deliciosa, rumo a um final divertido e amoroso.
Autora: Aline Abreu
Jujuba
R$ 85
jujubaeditora.com.br

A PARTIR DE 1 ANO
BOA VIAGEM, BEBÊ!
A premiadíssima autora italiana Beatrice Alemagna chega aqui com um livro amor puro não só para os bebês, mas também para quem é o adulto que cuida. Com tradução de Joyce Almeida, o narrador é um bebê que sempre faz uma viagem no mesmo horário. Isso mesmo! Uma viagem looooonga, em que ele precisa preparar a mala com seus itens preferidos: mamadeira, a naninha-peixinho, a chupeta e o livro preferido (a gente vê pela imagem que trata-se do sensacional Pequeno Azul, Pequeno Amarelo, clássico do holandês-italiano Leo Leonni, no Brasil pela Livros da Matriz).
Na organização para a ida, papai troca a fralda, a roupa e mamãe pega ele no colo. Onde será este destino tão especial? Só indo até o final para descobrir – e amar. Na contracapa desde livro em papel cartonado, uma porção de imagens para incrementar o vocabulário do bebê.
Autora: Beatrice Alemagna
Tradução: Joyce Almeida
Companhia das Letrinhas
R$ 69,90
companhiadasletras.com.br

A PARTIR DE 2 ANOS
BOM DIA, BICHINHOS
Todo bebê adora quando a mamãe ou o papai chegam com um delicioso “aviãozinho” cheio de comida. Todo bebê ama passear aconchegado no sling ou no canguru. E poucos resistem ao conforto de se aninhar no abraço de alguém muito importante.
É sobre esses pequenos gestos de afeto e descoberta que fala este livro da italiana Amandine Piu, formada na França e cada vez mais presente no mercado editorial infantil. Mas a obra vai além do cotidiano dos bebês. A autora escolhe narrar essas experiências por meio de comparações com bichinhos, criando um jogo delicado e divertido entre texto e imagem.
Na história, traduzida por Júlia Moritz Schwarcz, frases como “eu sou pequeno, mas tenho uma fome de gigante”, “grudadinho em você eu descubro o mundo” e “quando eu como, faço a maior bagunça. Adoro me sujar” ganham novas camadas de sentido quando encontramos, na página ao lado, uma sequência irresistível de animais em cenas cheias de fofura.
Este jogo típico do livro ilustrado (o picturebook, aquele que entrelaça bem texto, imagem e design) faz a leitura ficar ainda mais especial. Aos poucos, leitoras e leitores são convidados a observar formas, comparar situações e construir sentidos a partir dos detalhes. E, claro, tudo isso tem potencial para render muitas brincadeiras fora das páginas também.
Livro infantil ‘Bom dia, bichinhos :)’, de Amandine Piu — Foto: Divulgação
Autora: Amandine Piu
Tradução: Júlia Moritz Schwarcz
Brinque-Book
R$ 59,90
companhiadasletras.com.br

A PARTIR DE 3 ANOS
TERREIRO ENLUARADO
Este é o livro mais enluarado que você encontrará na vida. Na capa, a noite já está lá, e vemos três crianças cuidadas pela Lua, as plantas, a liberdade. Quando começa a história, os três irmãos estão dentro de casa, perguntando à mãe: “Deixa, mamãe! Mamãe, deixa, eu lá no terreiro brincar? Lá fora não está tão escuro, mamãe, tem lua pra clarear! A gente promete não ir para longe e não brigar com ninguém. Se demorar você chama, mamãe, que a gente para e vem!”
Lendo em voz alta, não sabemos se ouvimos uma canção, uma reza, uma brincadeira. O texto da autora baiana Rádi Oliveira, estreante na literatura infantil, nos embala a ler em voz alta como quem coloca uma criança para dormir. Os desenhos da mineira Carol Fernandes combinam tanto com tudo que é impossível dissociar este projeto gráfico como está.
O luar perpassa todas as ilustrações quase como uma bênção, ao mesmo tempo em que vemos essas amadas crianças nos contarem sobre cuidados familiares e modos de viver nos terreiros-quintais de nosso país. “Entre nesta poesia”, diz a autora e pesquisadora Heloisa Pires Lima no texto de contra-capa.
Autoras: Rádi Oliveira e Carol Fernandes
Quatro Cantos
R$ 59
editoraquatrocantos.com.br

O MUNDO É UM OVO
Renato Moriconi, artista paulista premiado no Brasil e no exterior, tem um talento raro para transformar ideias improváveis em livros irresistíveis. Nesta obra, ele brinca com um dos recursos mais deliciosos do livro ilustrado: o jogo entre imagem, expectativa e surpresa, tudo isso tendo o ovo como protagonista.
Em uma das duplas de páginas, por exemplo, o texto pergunta: “O que é isto? Sol, lua ou planeta amarelo?”, enquanto vemos apenas um círculo amarelo sobre um fundo branco. Pode ser qualquer coisa. Mas, ao virar a página, vem a resposta: “Nada disso! É um ovo!”. E é aí que a brincadeira começa de verdade.
A partir disso, o jogo começa e o vencedor parece que nunca é o leitor (ou é?). Porque quando temos certeza de que vemos um ovo, o livro nos diz ser um óvni; ou um vovô de óculos; depois um chapéu… e tudo vai ficando mais “complicado” e extremamente divertido. O autor de Bárbaro (Cia das Letrinhas) lança o quarto livro para coleção Literatura de Colo da Jujuba (veja também Céumar e Marcéu, Dia de Sol, Dia de Lua).
Livro infantil ‘O Mundo é um Ovo’, de Renato Moriconi — Foto: Divulgação
Autor: Renato Moriconi
Jujuba
R$ 85
jujubaeditora.com.br

A MÃE DA MATA
“Tudo tem mãe na mata”, começa o livro do autor tupinambá Maickson Serrão, do Amazonas, com o artista visual paranaense Chico Santos. Como acontece por toda a obra, junto a este texto, pinturas de diversos animais da região norte do Brasil.
A partir disso, seguem duplas amorosamente desenhadas – até o texto está em pinceladas! “A arara tem uma mãezinha”, “o bicho-preguiça também tem”, “até a árvore do caju tem uma mãe” – e nos coloca a pensar: ‘se “tudo” é floresta, ela tem mãe também? “Quem cuida dela?”’.
Assim nos aparece a figura do curupira, mas como “a curupira”, algo pouquíssimo comum. E como é que ela se manifesta neste cuidado? E aí o livro mergulha ainda mais em possibilidades gráficas poéticas, em que palavra continua sendo desenho e desenho continua sendo palavra. Tudo para levar leitores e leitoras de qualquer idade à sensibilidade dos ribeirinhos e indígenas da Floresta Amazônica a partir dos seres encantados que são sempre muito mais do que já sabemos.
Livro infantil ‘A Mãe da Mata’, de Maickson Serrão e Chico Santos — Foto: Divulgação
Autores: Maickson Serrão e Chico Santos
Caixote
R$ 62
editoracaixote.com.br

ESTE LIVRO NÃO É (SÓ) PARA LER SENTADO!
Quem é que tem ideia de livro quando está de ponta-cabeça numa montanha-russa? O escritor paulistano Yuri de Francco teve! E como ele já fez diversos livros ilustrados, está bem treinado para pensar livros em que o objeto “se mexe” nas mãos do leitor.
Foi assim que ele e a ilustradora Fernanda Peralta, junto da editora Carolina Maluf foram experimentando maneiras de fazer esta metalinguagem para leitores e leitoras nunca se esquecerem de que podemos ler da maneira que acharmos melhor.
Dessa forma, cria-se um jogo de “faça isso/faça aquilo” e todos embarcamos na brincadeira. Mas não é (só) uma leitura de mexer com o livro: é também para estar atento aos detalhes dos desenhos, ver como eles se encaixam com as palavras, e que sentido a mais podem provocar. Para além disso, Fernanda ainda escondeu algumas surpresas… Ninguém vai ficar parado, prepare-se! (E ainda tem quem diga que o livro no papel está com os dias contados… será?).
Livro infantil ‘Este livro não é (só) para ler sentado!’, de Yuri de Francco e Fernanda Peralta — Foto: Divulgação
Autores: Yuri de Francco e Fernanda Peralta
Gaivota
R$ 65
editorabiruta.com.br

A PARTIR DE 4 ANOS
MAQUEIRA DE TUCUM
Talvez o primeiro impacto deste livro venha das imagens: o encontro vibrante de cores, os traços marcantes e a Amazônia retratada com precisão pela artista paraense Michelle Cunha. Mas o encanto cresce ainda mais com o texto de Márcia Kambeba, uma das grandes vozes da literatura indígena contemporânea.
A história nos leva à aldeia Tuyuka, onde vive o povo conhecido como “filhos das águas”. Ali, a jovem Emoa, filha do cacique, é a guardiã das memórias da comunidade. À noite, todos se reúnem para ouvir suas histórias, enquanto as imagens revelam folhas, flores, pássaros e cenas cotidianas cheias de vida.
Até que Emoa “ancestraliza”, e o livro anoitece junto com a aldeia. Próxima à sua sepultura nasce uma palmeira de tucum, cuja fibra passa a ser usada na produção das maqueiras — redes de descanso que guardam um segredo fundamental. Com delicadeza e potência, o livro entrelaça memória, natureza e tradição oral em uma narrativa profundamente sensível.
Livro infantil ‘Maqueira de Tucum’, de Márcia Kambeba e Michelle Cunha — Foto: Divulgação
Autoras: Márcia Kambeba e Michele Cunha
Pequena Zahar
R$ 59,90
companhiadasletras.com.br

NUVEM DE AREIA
A capa impressiona: as pinturas da mineira Anna Cunha são irresistíveis, não à toa ela está entre as autoras mais queridas do público e da crítica. E então lemos que o escritor é Otávio Júnior, o autor de Da Minha Janela (pela Cia das Letrinhas, vencedor do Prêmio Jabuti) e de tantos outros livros que acompanham imaginários brasileiros nos últimos anos.
O traço impressionista de Anna ambienta uma história que chega pelo vento. Um jornal traz a manchete: “Nuvem de areia do Saara deve chegar ao Brasil nos próximos dias”. Quando o menino vê a notícia verifica o dia e percebe que o acontecimento está próximo. Mas a pergunta é: onde fica esse tal de Saara? E basta um mapa para a viagem começar!
Vemos uma mulher e o filho, uma construção em solo africano, modos de ganhar a vida, de ir e vir, de brincar, vemos as savanas, de Soweto a Marrocos e o voo da imaginação não para mais.
Livro infantil ‘Nuvem de areia’, de Otávio Júnior e Anna Cunha — Foto: Divulgação
Autores: Otávio Júnior e Anna Cunha
Pequena Zahar
R$ 64,90
companhiadasletras.com.br

OLHO D’ ÁGUA
Na capa, um menino navega em um barquinho de papel. A pintura sempre comovente de Marcelo Tolentino nos faz querer descobrir mais sobre esse mar anunciado. Ao começar a leitura, vemos crianças brincando juntas. “Eles eram inseparáveis”, diz o texto. Até que surge um dedo em riste. Boa coisa não aconteceu.
“Até aquele dia”, continua a narrativa, enquanto a imagem mostra um menino enxugando as lágrimas. Mas aquelas lágrimas já eram um vazamento difícil de conter. Os pais estão ali, tentando ajudar, mas chega um momento em que não somos suficientes, não é?
Marcelo constrói, com delicadeza e potência, uma história sobre o descompasso entre o que desejamos proteger e aquilo que realmente podemos evitar. A metáfora da água, presente o tempo todo nas páginas, nos lembra que não há como impermeabilizar completamente as dores dos filhos. O psicanalista Christian Dunker assina a orelha do livro.
Livro infantil ‘Olho D’água’, de Marcelo Tolentino — Foto: Divulgação
Autor: Marcelo Tolentino
Boitatá
R$ 67
boitempoeditorial.com.br

O RIO INFINITO
Parceiros já em A Água e a Águia, o escritor moçambicano Mia Couto e a ilustradora canadense Danuta Wojciechowska assinam este livro juntos para narrar um conto que celebra justamente a importância de se contar histórias.
No delicado encontro em textos e imagens, a dupla nos leva a um tempo, numa pequena aldeia, na família de um escultor chamado Kalunga, sua esposa Kianda e os três pequenos filhos. Kalunga transformava madeira em figuras de pessoas e animais.
Num certo inverno, no entanto, o mundo cobriu-se de escuro e frio. Seria o fim do mundo? O casal tinha uma saída: contar histórias às crianças. Como as delas já haviam sido narradas, Kianda seguiu atrás de novas. A cada animal que ela encontrava na savana, pedia uma história. Algo mágico e crucial acontece, no entanto, quando ela é convidada a conhecer o fundo do mar. De presente nas mãos, ela retorna ao seu grupo e espera o sol nascer.
Livro infantil ‘O rio infinito’, de Mia Couto e Danuta Wojciechowska — Foto: Divulgação
Autores: Mia Couto e Danuta Wojciechowska
Companhia das Letrinhas
R$ 64,90
companhiadasletras.com.br

A PARTIR DE 5 ANOS
QUANDO A MAMÃE FICA TRISTE
Precisamos falar do que é difícil. Precisamos falar do que é difícil com as crianças. Precisamos falar do que é difícil com as crianças e precisamos de ajuda para isso. A literatura é ainda uma das formas mais acolhedoras para situações complexas.
Nesta obra, podemos falar sobre depressão e tristeza que acometem aquela que, muitas vezes, tem pouco espaço para elaborar, sentir e, o mais importante, ser cuidada: a mãe. A forma é a costura de dois poemas: um de texto, em que Tatiana Nascimento nomeia a dor: “Quando a mamãe fica triste por dias, noites, semanas, às vezes tem uma razão mesmo sem ser aparente”.
E ela vai compondo assim uma conversa, de fato, com a criança leitora, repleta de metáforas poéticas. Fala que a culpa não é dela e que é preciso paciência e descanso; fala que rir e cantar pode ajudar muito e que a mãe quer, sim, melhorar.
Junto de tudo, ilustrações bastante diversas feitas por Valentina Fraiz, entre o cotidiano e o abstrato, colocando no livro muitos tipos de famílias, tudo com a belíssima intenção de desfazer mistérios rumo à compreensão mútua.
Livro infantil ‘Quando a mamãe fica triste’, de Tatiana Nascimento. Ilustrações de Valentina Fraiz — Foto: Divulgação
Autoras: Tatiana Nascimento e Valentina Fraiz
Peirópolis
R$ 59
editorapeiropolis.com.br

MAMÃE APAIXONADA
Um lindo menino nos anuncia: “mamãe está apaixonada”. Ué, sobre o que será esse livro? “Sou apaixonada por flores”, diz ela – e uma belíssima imagem dela e um vaso de flores tomam a dupla de páginas.
Das flores, vamos aos pássaros, primaveras, festas, fantasias… e borboletas (até sobra uma referência à Lagarta Muito Comilona, de Eric Carle), essa mamãe tem muitos amores mesmo! A cada virar de páginas, a cor, os traços, o movimento, os tons do autor pernambucano André Neves, que há mais de 30 anos encanta as prateleiras de poesia nos livros para as infâncias.
Lemos a obra como quem vê uma lista poética de memórias desta mulher repleta de paixões e de inspirações para outros amores infinitos. O livro saiu perto de um “par”: Papai Apaixonado, quando temos a chance de conhecer mais destas calorosas revelações.
Livro infantil ‘Mamãe Apaixonada’, de André Neves — Foto: Divulgação
Autor: André Neves
Joaquina
R$ 65,90
editorajoaquina.com.br

LUAS E LIBÉLULAS
E se o movimento do pincel na página em branco começasse tudo antes da própria ideia para o livro? A artista paulista Lúcia Hiratsuka exercitou tanto esta prática que o livro nasceu exatamente disso. É o fio condutor, vem da prática da técnica sumiê e se entrelaça à outra arte japonesa, o haicai.
Começa assim: “Era uma vez uma linha curva…” e, do outro lado, vemos uma pincelada “solta”. Quando viramos a página, a surpresa: a curva virou um coelho e a continuação do texto vem a partir disso. Tem ali também um jogo meio escondido de contarmos de 1 a 10 o que vemos, o que cria novos sentidos aos textos e às imagens.
Este é o jogo a correr pelo livro, que vai “enganando” a gente com máscaras de teatro, tigres famintos, pinguins, pétalas que dançam e outras figuras a se tornarem poemas em cor, gesto e palavra. Ao final, uma dúvida e uma descoberta para a gente se apaixonar ainda mais pelo traço vivo da artista.
Livro infantil ‘Luas e Libélulas’, de Lúcia Hiratsuka — Foto: Divulgação
Autora: Lúcia Hiratsuka
Gaia
R$ 79
grupoeditorialglobal.com.br

O NOME DO MOÇO
Mãe e filha andam por uma grande cidade brasileira. Parece uma caminhada comum, mas a criança vê. Vê o que? Vê o que tantos de nós não vê mais. “Mamãe, você viu o moço ali deitado?”, “Não vi, filha.”, “Ele estava escondido embaixo do plástico. Só com o pé para fora.”
O livro todo vem assim, escrito em diálogo: a criança pergunta de tudo. “Mãe, criança também pode ficar sem casa?”, “Criança pode dormir na rua?”, “Será que o moço tem filhinho, mãe?”, “Mas o moço tem mãe, né?”.
Com a personagem filha, a escritora Márcia Leite vai, então, nomeando os incômodos, tudo aquilo sobre o qual não se quer mais falar. Com a personagem mãe, no entanto, ela mostra os diálogos possíveis que podem nos apontar sobre algo que não precisamos nos esquecer de sentir: compaixão.
Enquanto nos envolvemos com a conversa, Bruna Lubambo nos dá muito das texturas, formas, movimentos, marcas diversas de quem vive na urbanidade tantas vezes hostil.
Livro infantil ‘O Nome do Moço’, de Márcia Leite e Bruna Lubambo — Foto: Divulgação
Autoras: Márcia Leite e Bruna Lubambo
Joaquina
R$ 67,50
editorajoaquina.com.br

SAUDADE
A palavra “saudade”, que adoramos dizer pertencer tão bem à língua portuguesa, atravessa inúmeros ditados populares. “Saudade do que nunca teve”, “vou morrer de saudade”, “isso vai ficar na saudade”. É poesia desde a origem.
Alessandra Roscoe e Odilon Moraes acrescentam novas camadas a essa palavra neste livro-poema sobre o tempo, mas um tempo de si e para si. Ele remete a tantos caminhos que se bifurcam diante de nossas escolhas e possibilidades.
Fala sobre arriscar-se. Sobre termos a possibilidade de se mexer, de sair do lugar, mesmo que nos pareça inseguro. Mesmo quando nos sentimos fora de casa, longe de nós mesmos. Um movimento pode alterar tudo: será que está na hora de se conformar? O livro é o segundo da série Medos Desacontecidos, do qual o belíssimo Quando as Coisas Desacontecem faz parte. E tem mais um para chegar…
Livro infantil ‘Saudade’, de Alessandra Roscoe e Odilon Moraes — Foto: Divulgação
Autores: Alessandra Roscoe e Odilon Moraes
Gaivota
R$ 69,50
editorabiruta.com.br

DEPOIS DO ATLÂNTICO
O mar esconde passagens, histórias, encontros? Neste livro, Paty Wolff acompanha a travessia de um tecido muito especial. A autora, nascida em Rondônia, moradora do Mato Grosso e apaixonada por pesquisar territórios — geógrafa que é — cria uma narrativa delicada que começa do outro lado do Atlântico, em Angola, na província de Benguela, onde vive a menina Lueji.
De aniversário, ela ganha um tecido Samakaka, patrimônio cultural angolano e símbolo importante entre famílias que vivem do zungar, a venda de produtos nas ruas. Enquanto aprende essa prática de sobrevivência, Lueji passeia pela praia com o tecido dançando ao vento. Até que ele escapa de suas mãos e cai nas águas agitadas do mar.
Viramos a página e um retrato nos impacta: é Lueji imaginando aonde pode ir seu pano sagrado. Seguimos, então o caminho do tecido no mar, seus encontros com tantas espécies até encontrar alguém, também muito especial, na Bahia. De lá e de cá, Paty nos identifica paisagens, formas de falar e amores que só a consciência da ancestralidade pode presentear.
Livro infantil ‘Depois do Atlântico’, de Paty Wolff — Foto: Divulgação
Autor: Paty Wolff
Caixote
R$ 68
editoracaixote.com.br

DELIVERY
“Meu pai é demais!” é a frase que abre o livro emoldurada na página. Será uma história em quadrinhos? Isso porque, abaixo deste quadro, temos um homem se arrumando diante do espelho e, na página ao lado, um outro homem prepara um café e, abaixo dela, um senhor se espreguiça na cama. É de manhã.
Quando viramos a página, o design se mantém e vemos os três personagens novamente: um guarda o laptop na mochila; outro ajeita um capacete de moto, o terceiro se ajeita ao lado de uma bicicleta. “Ele diz que é dono do próprio negócio”, diz o texto, enquanto na imagem continuamos caminhando pelo dia destas três pessoas. Ou quatro? Ou mais? Quem está narrando? Quem é o filho ou filha? O que fazem esses três pais?
Este foi o jogo que o escritor Tino Freitas propôs a três ilustradores: Gustavo Nascimento, Natália Gregorini e Odilon Moraes. Isso mesmo. Cada um desenha uma das famílias e o texto é sempre o mesmo. O ritmo do livro vai, então, oferecendo respostas e algumas conexões, onde tudo é questão de entrega e a única coisa garantida é o amor.
Livro infantil ‘Delivery’, de Tino Freitas, Gustavo Nascimento, Natália Gregorini e Odilon Moraes — Foto: Divulgação
Autores: Tino Freitas, Gustavo Nascimento, Natália Gregorini e Odilon Moraes
Baião
R$ 74,90
baiaolivros.com.br

A PARTIR DE 6 ANOS
IOIÔ, O GRIÔ
A materialidade deste livro nos provoca a pegar nele com cuidado, como quem pega algo delicado. Com o virar de páginas, entendemos que tudo que está ali compõem esta sensação: a capa dura, o ritmo do texto da paulista Lidiane Cristina de Andrade, as fortes ilustrações do carioca Camilo Martins.
O enredo nos apresenta Ioiô, um jovem pescador que morava em uma aldeia à beira-mar, em um continente distante do nosso. Ioiô não tinha medo de nada e amava navegar e receber o alimento que o mar trazia. Houve um tempo, no entanto, que os cardumes minguaram pela região e, então, Ioiô decidiu mudar o lugar da pesca.
Ele encontrou onde os peixes estavam, jogou sua rede e, de repente, ouviu um canto: era uma belíssima mulher, cabelos volumosos enfeitados com conchas, pérolas e estrelas-do-mar. Atordoado com tanta beleza, acabou assustando-a com sua agitação. Uma vez, griô narrou esta e outras histórias para muitas e muitas pessoas.
Por toda a obra aparecem referências da cultura axante, bem como o sistema de ideograma Adinkra, que compõem as vinhetas e ganharam um glossário ao final da edição. Contracapa assinada por Ananda Luz, pesquisadora sobre as relações entre livros, infâncias e relações étnico-raciais.
Livro infantil ‘Ioiô, o griô’. Texto de Lidiane Cristina de Andrade. Ilustrações de Camilo Martins — Foto: Divulgação — Foto: Divulgação
Autores: Lidiane Cristina de Andrade e Camilo Martins
Quatro Cantos
R$ 78,50
editoraquatrocantos.com.br

TEKO HYPY – A ORIGEM DO MUNDO
Ler este livro é como entrar num sonho. Num sonho sobre nós, sobre uma perspectiva de um início. Ariel Ortega Kuaray Poty, Leandro Kuaray Mimbi, Patrícia Ferreira Pará Yxapy, autores mbyá-guarani do sul do país, e Sophia Pinheiro, não indígena e goiana, se juntaram para fazer esta obra difícil de classificar o gênero.
Mito de origem, o livro começa com “O Nada”. Lemos esta informação em português e em guarani e um impacto visual particular. As cores, as técnicas variadas das pinturas, as camadas das perspectivas indígenas nos detalhes, nas escolhas das formas, das figuras, das composições nos surpreendem dupla a dupla, e nos narram que as divindades criam primeiro a linguagem, “na qual está contida a alma (nhe’e). A alma-palavra é o princípio de tudo”. E, em determinado momento, “era preciso que a alma-palavra entrasse em movimento no meio daquele silêncio. Assim surgiram os seres humanos”.
Entre o sagrado e a sobrevivência, caminhadas de identidades, narradas de geração em geração, e urgentes para repertório de todas e todos nós. A obra foi lançada originalmente em 2022, mas com circulação muito reduzida, parte de um edital de incentivo.
Livro infantil ‘Teko Hypy A Origem do Mundo’, de Ariel Ortega Kuaray Poty, Leandro Kuaray Mimbi, Patrícia Ferreira Pará Yxapy e Sophia Pinheiro — Foto: Divulgação
Autores: Ariel Ortega Kuaray Poty, Leandro Kuaray Mimbi, Patrícia Ferreira Pará Yxapy e Sophia Pinheiro
Boitatá
R$ 79
boitempoeditorial.com.br

MEU NOME
Como as guerras distantes nos afetam? A autora mineira Marilda Castanha não resistiu à dor nela provocada pelas notícias que recebemos aqui dos conflitos entre Israel e Palestina, especificamente da fase iniciada em outubro de 2023. Especialmente quando soube que as crianças estavam escrevendo em seus corpos os próprios nomes: caso acontecesse o pior, poderiam ser identificadas.
Disparou daí, essa poética e comovente narrativa em que Marilda elabora a importância do nome próprio para todos. “Seja gente, coisa ou bicho, tudo e todos têm um nome”, escreve Marilda enquanto desenha para nós elementos de identidade e culturas. Na dupla seguinte, nos diz onde estamos. “Esteja alegre ou triste, liberto ou não, para o que existe (e até mesmo para o que não existe) há sempre um nome”, ao lado de imagens bem fortes: de um lado, um menino caminha por gaiolas com pássaros presos; do outro, soldados atentos.
Em meio ao clima de guerra, a autora mostra que a vida continua, famílias se cuidam, comunidades convivem, crianças brincam, mas sem diminuir o peso da cruel contradição.
Livro infantil ‘Meu Nome’, de Marilda Castanha — Foto: Divulgação
Autora: Marilda Castanha
Companhia das Letrinhas
R$ 64,90
companhiadasletras.com.br
XIMLÓP
A palavra veio pela primeira vez num jantar com a família de um dia qualquer: Ximlóp! Foi um choque! Então o menino foi conversar com o grupo que apenas falava “A”: não deixaram que falasse mais; seguiu para a turma que dizia só “B” para tudo e, a mesma coisa: não suportaram.
Quando encontrou um pessoal que falava coisas diferentes entre si, pensou que era uma saída. Ledo engano: ouviu xingamentos de variadas formas. Como será possível conversar? Resolveu guardar seus pensamentos e optou pelo silêncio.
Tempos depois, alguém soube sobre Ximlóp e tudo recomeçou. Neste livro com interpretações bem abertas, Gustavo Piqueira, um dos mais inventivos autores e designers de livros brasileiros, nos aponta que a única coisa certa é que não há ideias válidas para todo sempre. Qual será o Ximlóp do momento, hein? Vencedor do Prêmio APCA de 2025.
Livro infantil Ximlóp, de Gustavo Piqueira — Foto: Divulgação
Autor: Gustavo Piqueira
Joaquina
R$ 68,50
editorajoaquina.com.br

AZUL HAITI
E se uma cor pudesse conduzir toda uma narrativa? Essa é a primeira beleza que salta da obra de Paty Wolff, artista plástica rondoniense que hoje vive em Cuiabá (MT). É a partir de um azul muito particular que ela constrói a voz de uma criança, filha de imigrantes haitianos, que narra o antes, o durante e o depois da travessia de sua família.
Com a metáfora de um “mar de histórias”, o menino conta que a mãe fala constantemente sobre o lugar de onde veio. “De vez em quando, alguma nuvem de saudade paira nos olhos dela e só vai”, escreve Paty, enquanto a imagem mostra mãos segurando uma fotografia.
A autora alterna presente e passado, fazendo conviver o que o menino vê e as memórias difíceis — e ternas — que escuta da mãe. A narrativa percorre a chegada a um país estrangeiro, o aprendizado de uma nova língua, a busca por oportunidades e a importância de conquistar um documento brasileiro.
Entre o macro e o íntimo de uma história tão real quanto complexa, Paty Wolff finca sua poesia em texto e imagem com a mesma força com que marca camadas no papelão, material que adora explorar em seu trabalho artístico.
Livro infantil Azul Haiti, de Paty Wolff — Foto: Divulgação
Autora: Paty Wolff
Companhia das Letrinhas
R$ 62,90
companhiadasletrinhas.com.br

BURACO
Blandina Franco e José Carlos Lollo formam uma dupla já muito conhecida pelas infâncias brasileiras, com histórias marcadas pelo humor. Depois de livros como Aporofobia e Os Pombos, eles apresentam agora uma obra de tom mais denso.
O livro se abre na vertical, enquanto uma gota cai por uma, duas, três duplas de páginas, até atravessar a parte de cima e a de baixo do livro. “Um dia, ela caiu em um buraco”, diz o texto. Ela quem? Caiu como? Existe acaso? O buraco sempre esteve ali?
Na narrativa, a personagem-gota cai em um vazio “cheio de coisas”, onde não há descanso. Quem está do lado de fora tenta ajudar, oferecendo soluções e caminhos. Até que ela própria encontra uma saída possível. Com delicadeza e coragem, a obra convida leitores e leitoras a olhar com mais sensibilidade para os estados psíquicos e seus atravessamentos. Empatia pura.
Livro infantil ‘Buraco’, de Blandina Franco e José Carlos Lollo — Foto: Divulgação
Autores: Blandina Franco e José Carlos Lollo
Pequena Zahar
R$ 89,90
companhiadasletras.com.br

FRANK E ESTER
Grudados desde a vida dentro da barriga da mãe, Frank e Ester viviam muitas coisas importantes juntos. Eram felizes, brincavam, estudavam, tinham pais amorosos e juntos experienciavam tudo que tinham direito. Até que um dia, o pai foi promovido, a vida da mãe também mudou e os dois precisaram ir para uma escola nova.
Ester foi para a biblioteca pegar seu primeiro livro emprestado, mas ouviu que a leitura que ela queria estava reservada para outra pessoa. E não foi apenas uma vez. Os dois sentiram algo que o nome custa a chegar: ra-cis-mo.
O traço peculiar de Vitor Rocha promove no livro a possibilidade de um toque de surrealismo para algo tão duro de viver. Enquanto elaboravam a violência silenciosa, os irmãos buscaram justificativas. Entre cochichos dos outros e suas próprias dores, seguiram para casa se sentindo diferentes, estranhos e com vontade de ter outro tipo de coração, o mundo estava diferente. Mas, em casa, eles tinham tudo para lutar.
Livro infantil ‘Frank e Ester’, de Vitor Rocha — Foto: Divulgação
Autor: Vitor Rocha
Joaquina
R$ 67
editorajoaquina.com.br

TULIPA
Qual seria a língua, o idioma da infância? Quem é que entende ou não? A gente se esquece quando cresce? Este livro da gaúcha Paula Schiavon mexe com essas ideias de muitas maneiras. Ele fala da infância, das artes e das pequenas importâncias, enquanto conhecemos Júlia e sua melhor amiga, Tulipa, a narradora.
Ela nos apresenta a amiga colecionadora de miudezas, onde ela passa as férias e tem ali um morador muito especial: o tio, o “rei” do quarto azul. Da relação entre tio e sobrinha, percebemos as semelhanças que os conectam a um mundo do brincar, da fantasia, daquele lugar precioso onde todo mundo poder ser rei e rainha.
“O tio da Júlia fala em uma língua estranha. É como a língua dos pássaros, do vento e das pedras: pra gente entender, precisa esquecer como falava antes”, descreve Tulipa como uma forma de irmos nos aproximando, talvez, de uma ideia do convívio com pessoas neurodivergentes. E o principal: o respeito, o carinho e o vínculo que só a linguagem da infância pode nos (re)ensinar.
Livro infantil ‘Tulipa’, de Paula Schiavon — Foto: Divulgação
Autora: Paula Schiavon
Pequena Zahar
R$ 74,90
companhiadasletras.com.br

A PARTIR DE 7 ANOS
PRIMAVERA
Este livro parece que vai desmanchar-se em nossas mãos. Não pela qualidade da materialidade, claro, mas porque tudo ali parece estar vivo, perecível, se movimentando aos nossos olhos. Isso tem a ver com a textura das imagens do autor Odilon Moraes.
Assim que começamos a ler o texto de Carolina Moreyra, entendemos por que ele fez tudo exatamente deste jeito. A narradora vem nos contar sobre a Bisa, que vive num lugar especial. Mas é mais que isso, ela vive na lembrança do pôr do sol que ficou escondido por causa da chuva, na sopa tomada junto e nos passeios de bicicleta.
“A primavera começa e logo chegam as lagartas”, começa o texto. As frases vão se entrelaçando e ficamos num vaivém de passado e presente, sentindo que o tempo não é este tempo do relógio: é um tempo de lagarta-casulo-borboleta.
“Uns dias depois começam a aparecer os casulos. Mamãe, tem um no guidão da bicicleta. E outro no meu skate.” Não mexam nos casulos, a Bisa dizia. E os meninos ficavam bravos. Queriam andar de bicicleta e de skate. Mas não queriam desagradar a Bisa. “Seu cabelo é tão branco, parece neve. Você é nossa Branca de Neve. E a Bisa ria”. Percebeu? Primavera é um tempo de lagarta, um tempo de admiração, um tempo de amor.
Livro infantil ‘Primavera’, de Carolina Moreyra e Odilon Moraes — Foto: Divulgação
Autores: Carolina Moreyra e Odilon Moraes
Joaquina
R$ 67
editorajoaquina.com.br

MENINO ONÇA, ONÇA MENINO
Lá, no meio do Brasil, entre o Pantanal e o sertão, existe um lugar chamado Mungará. Fica, acredite, dentro de uma mata encantada, possível de se entrar por entre duas palmeiras. Lá, no meio do Brasil, existe um menino chamado Kiné e ninguém sabe como, mas ele entrou em Mungará. Com suas tristezas da solidão, ele tinha esperança de encontrar a tal felicidade. Mas que busca é essa, afinal?
Lá, no meio do Brasil, de um outro lado da história, existe uma onça-pintada chamada Marzul, que procurava beleza e harmonia. Os dois se encontraram no rio. E quando se viram, sabiam que era o destino: entre infâncias e selvagerias, se (auto) conheceram.
Este conto ilustrado sobre a natureza chega a livro por três autores recifenses – Nara Aragão e Renata Roberta, na escrita, e Guilherme Lira, na ilustração – e as marcas do nosso nordeste estão evidentes em diversas camadas.
Livro infantil ‘Menino Onça Onça Menino’. Texto de Nara Aragão e Renata Roberta. Ilustrações de Guilherme Lira — Foto: Divulgação
Autores: Nara Aragão, Renata Roberta e Guilherme Lira
Boitatá
R$ 75
boitempoeditorial.com.br

PARA CRESCER E SER FELIZ
Para crescer e ser feliz, todo mundo tem direito a… Quem responde são as crianças e adolescentes escutados pelas organizadoras deste livro, Ananda Luz, pesquisadora da relação entre livros e as infâncias, e Isabel Malzoni, criadora da editora Caixote.
Ele nasce dentro de outro projeto: o comovente Eu Devia Estar na Escola, com uma compilação de depoimentos e desenhos de autoria de jovens que vivem nas favelas da Maré, na cidade do Rio de Janeiro. A nova ideia é um manifesto visual fortíssimo. Cada dupla, frases como: “Todo mundo tem direito a receber amor”; “Todo mundo tem direito a frequentar a escola todos os 200 dias do ano letivo, nem a mais, nem a menos”; “Todo mundo tem direito à saúde, mesmo nos finais de semana”.
Tudo acompanhado de uma grande turma de ilustradores – Aline Abreu, André Neves, Caio Zero, Carol Fernandes, Dalton Paula, Daniel Kondo, Faw Carvalho, Graça Lima, Luciana Nabuco, Marcelo Tolentino, Marilda Castanha, Natália Gregorini, Odilon Moraes, Paty Wolff, Raquel Matsushita, Renato Cafuzo, Rodrigo Andrade, Tutano Nômade e Vitor Bellicanta – que nos fortalece ainda mais a comprometermo-nos como país.
Livro infantil ‘Para crescer e ser feliz’ — Foto: Divulgação
Organizadoras: Ananda Luz e Isabel Malzoni
Caixote
R$ 64
editoracaixote.com.br

fonte: Cristiane Rogerio para Revista Crescer
