Como se pareciam os nativos do Paraná há mais de dois mil anos? O Museu Paranaense apresenta ao público a representação de um indivíduo com essas características, o Gufan. Ao aliar pesquisas arqueológicas à tecnologia de reconstrução facial 3D foi possível recriar este homem Proto-Jê, encontrado durante uma escavação em 1954, na paleoaldeia em Estirão Comprido, um sítio arqueológico no município de Prudentópolis, área central do Paraná. O projeto é fruto da parceria entre o museu, o designer Cícero Moraes e a Beenoculus, empresa curitibana especializada em realidade virtual.
Para o diretor do Museu Paranaense, Renato Carneiro, a tecnologia empregada na realização desta exposição ressignifica conteúdos que são muito antigos e mostram que o passado é muito mais interessante do que apenas um conjunto de obras. “Quando uma criança vem aqui e experimenta um óculos de realidade virtual e consegue ver um esqueleto de dois mil anos, descoberto há mais de 60 anos, isso traz um mundo novo, traz uma série de possibilidades novas para uma instituição como o Museu Paranaense, que tendo mais de 140 anos, está sempre sabendo se renovar, sempre sabendo se reinventar”, comenta.
Depois de 63 anos das pesquisas iniciais, a tecnologia forense possibilitou mostrar como era o rosto desse paranaense milenar, por meio de uma técnica conhecida como reconstrução facial digital.
O processo de reconstrução básica e animação do Gufan levou cerca de uma semana, além dos três dias para portar para a realidade virtual. Essa foi a primeira vez que uma face foi apresentada em ambiente 3D imersivo no Brasil. Uma equipe de especialistas em realidade virtual e aumentada, liderada por Alessandro Binhara, desenvolveu a plataforma que permitiu exibir a face de Gufan com óculos 3D.
Sobre Gufan
Gufan pertencia a um povo indígena agricultor, ceramista e que possuía uma engenharia refinada de construções subterrâneas e habitava regiões com matas do pinheiro Araucária.
A arqueóloga Claudia Parellada, responsável pelo setor no Museu Paranaense, explica que os estudos acerca do Gufan permitem esclarecer alguns aspectos de sua vida. “Devido às características do sepultamento a gente consegue identificar que ele tinha uma hierarquia social maior, ou seja, ele provavelmente era um líder político ou religioso”.
fonte: Museu Paranaense
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